Diário de uma p... arva!

Life addicted!! Total e absoluta em tudo... sempre sem favores!!

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Localização: Lisboa, Portugal

segunda-feira, março 27, 2006

ÂNSIA

Não suporto este silêncio.
Preciso de vozes
Muitas vozes
Preciso da multidão que fale de dentro
Gente por todo lado que fale da Alma
Preciso de coisas ditas
E jamais vividas
Para torna-las coloridas
Com palavras difíceis
Decoradas
Para supor que são sonhos
Mesmo que não sejam mais
Do que cópias mal feitas
Dos livros consumidos
Ainda quando acreditava
No que hoje grito sem razão.


(Fernando Pascoa)

sexta-feira, março 24, 2006

A Lenda Sioux da Águia e do Falcão!

Conta uma velha lenda dos índios Sioux, que uma vez, Touro Bravo, o mais valente e honrado de todos os jovens guerreiros, e Nuvem Azul, a filha do cacique, uma das mais formosas mulheres da tribo, chegaram de mãos dadas, até a tenda do velho feiticeiro da tribo ...
- Nós nos amamos... e vamos nos casar - disse o jovem.
- E nos amamos tanto que queremos um feitiço, um conselho, ou um talismã... alguma coisa que nos garanta que poderemos ficar sempre juntos... que nos assegure que estaremos um ao lado do outro até encontrarmos a morte. Há algo que possamos fazer?
E o velho emocionado ao vê-los tão jovens, tão apaixonados e tão ansiosos por uma palavra, disse:
- Tem uma coisa a ser feita, mas é uma tarefa muito difícil e sacrificada...
Tu, Nuvem Azul, deves escalar o monte ao norte dessa aldeia, e apenas com uma rede e tuas mãos, deves caçar o falcão mais vigoroso do monte... e traze-lo aqui com vida, até o terceiro dia depois da lua cheia.
E tu, Touro Bravo - continuou o feiticeiro - deves escalar a montanha do trono, e lá em cima, encontrarás a mais brava de todas as águias, e somente com as tuas mãos e uma rede, deverás apanhá-la trazendo-a para mim, viva!
Os jovens abraçaram-se com ternura, e logo partiram para cumprir a missão recomendada... no dia estabelecido, à frente da tenda do feiticeiro, os dois esperavam com as aves dentro de um saco.
O velho pediu, que com cuidado as tirassem dos sacos... e viu eram verdadeiramente formosos exemplares...
- E agora o que faremos? - perguntou o jovem - as matamos e depois bebemos a honra de seu sangue?
Ou cozinhamos e depois comemos o valor da sua carne? - propôs a jovem.
- Não! - disse o feiticeiro, apanhem as aves, e amarrem-nas entre si pelas patas com essas fitas de couro... quando as tiverem amarradas, soltem-nas, para que voem livres...
O guerreiro e a jovem fizeram o que lhes foi ordenado, e soltaram os pássaros... a águia e o falcão, tentaram voar mas apenas conseguiram saltar pelo terreno. Minutos depois, irritadas pela incapacidade do voo, as aves arremessavam-se entre si, bicando-se até se machucar.
E o velho disse: Jamais esqueçam o que estão vendo... este é o meu conselho. Vocês são como a águia e o falcão... se estiverem amarrados um ao outro, ainda que por amor, não só viverão arrastando-se, como também, cedo ou tarde, começarão a machucar-se um ao outro...
Se quiserem que o amor entre vocês perdure...

"Voem juntos... mas jamais amarrados."

quarta-feira, março 22, 2006

Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que o que mais queremos é tirar esta pessoa dos nossos sonhos e abraçá-la... torná-la palpável, torná-la nossa, torná-la presente, recebê-la de presente... vê-la preencher todos os espaços mortos da nossa existência, senti-la penetrando o nosso corpo, preenchendo todas as nossas células... enfim, tirá-la dos nossos sonhos, deixá-la conquistar a nossa alma e senti-la tornar-se parte de nós mesmos!!

sábado, março 18, 2006

Procurar...

" Procuro cumplicidade, um homem que me ame nos bons e nos maus momentos, que ma ame de verdade tal como sou, que me reconheça como mulher e que reconheça tudo o que sou capaz para fazer um homem feliz. "

... foi esta frase que a minha amiga J. leu num livro tirado ao acaso duma prateleira, precisamente quando o pensamento: "mas afinal o que é que eu procuro nos homens?" a assaltava... coincidência ou destino, a verdade é que ficou a saber a resposta... ficámos ambas... mas, afinal, não é isto que todas nós procuramos?!?!?

quarta-feira, março 15, 2006

Sed de ti

Sed de ti me acosa en las noches hambrientas.
Trémula mano roja que hasta su vida se alza.
Ebria de sed, loca sed, sed de selva en sequía.
Sed de metal ardiendo, sed de raíces ávidas......
Por eso eres la sed y lo que ha de saciarla.
Cómo poder no amarte si he de amarte por eso.
Si ésa es la amarra cómo poder cortarla, cómo.
Cómo si hasta mis huesos tienen sed de tus huesos.
Sed de ti, guirnalda atroz y dulce.
Sed de ti que en las noches me muerde como un perro.
Los ojos tienen sed, para qué están tus ojos.
La boca tiene sed, para qué están tus besos.
El alma está incendiada de estas brasas que te aman.
El cuerpo incendio vivo que ha de quemar tu cuerpo.
De sed. Sed infinita. Sed que busca tu sed.
Y en ella se aniquila como el agua en el fuego.

(Pablo Neruda)

terça-feira, março 14, 2006

A importância dos degraus na minha vida

Quando devemos parar?
Quando é que é suficiente para cada um de nós?
Quando é que já temos o suficiente?

... hummm, dificil saber, não é? Pra mim, quase impossivel!

Não sei precisar o momento em que comecei a querer mais do que aquilo que me queriam dar, em que comecei a lutar por algo que sabia que merecia, em que vi que podia ter muito mais do que estava disponivel... lol, não... não falo de bens materiais, falo de sentimentos, de emoções...

... não sei precisar esse momento em que me apercebi que, afinal, viver sem o amor de outrem não é natural mas, foi nesse momento que eu decidi sair desse poço tão fundo, tão cheio de nada, pleno de solidão... e, comecei a subir em direcção a mim mesma... degrau a degrau, muito lentamente, umas vezes mais sofridas que outras... em direcção a uma mulher muito mais pensada, decidida, forte, amável e, por fim, amada, desejada, querida...

Mas, afinal, quando devo parar? Tenho mesmo que parar? ... torna-se um vicio, esta coisa de sentir coisas! E depois de descobrirmos que, ao contrário do que nos disseram durante anos e anos, não temos que nascer e morrer mil vezes pra chegar aos calcanhares de ninguém, então mais viciante se torna... queremos sentir tudo, tudo o que pudermos, o mais rápido que pudermos...

Bem... não sei se está certo ou errado... não sei se terei que parar algum dia... não sei se terei que parar de sentir por ter sentido tanto... só sei que, daqui de cima desta imensa escadaria, subida com esforço degrau a degrau, se vê todo um Mundo cheio de cores alegres, momentos felizes, risos e carinhos... e todos eles me fazem tão bem, todos eles vão enchendo este pobre coração...
... e, um dia, quando me cansar de subir degraus, posso sempre sentar-me a ver o mar com todos estes momentos felizes por companhia... sim, vou sentar-me a ver o mar, mas não sozinha!

terça-feira, março 07, 2006

Nada é pequeno no Amor

"Aqueles que esperam por grandes ocasiões
para demonstrar a sua ternura não sabem amar.

O valor das coisas não está no tempo que elas duram,
mas na intensidade com que acontecem.
Por isso, existem momentos inesquecíveis,
coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis..."

(Fernando Pessoa)


E se com um bocadinho de sorte, ou um milagre dos céus, ou um alinhamento de todos planetas e estrelas conseguíssemos que uma pessoa incomparável, de uma forma inexplicável e num momento inesquecível, nos ensinasse a amar de novo?!?!

hummmmm....

sexta-feira, março 03, 2006

Andei à procura de mim
Escondida nas areias
Recônditas do meu ser
Lentamente vem à tona
A criança que perdura

Descubro…
Lugares secretos,
Tesouros perdidos,
Trago comigo o feitiço da lua.

Gosto do cheiro a terra molhada…
E de andar descalça na relva
Gosto do cheiro do mar…
E da espuma de sal
Gosto de algodão doce…
E de café com muito açúcar
Gosto de flores amarelas…
E paixões cor de sangue
Gosto do branco etéreo do gelo…
E do som crepitante duma fogueira
Gosto de anéis nos dedos…
E de nadar nua na noite da praia
Gosto do espelho de mim.

quarta-feira, março 01, 2006

Morrer lentamente!

"Morre lentamente quem não viaja,
quem não lê, quem não ouve música,
quem destrói o seu amor próprio,
quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
quem não muda as marcas no supermercado,
não arrisca vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o "preto no branco" e os "pontos nos is"
a um turbilhão de emoções indomáveis,
justamente as que resgatam brilho nos olhos,
sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da
chuva incessante, desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece
e não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo
exige um esforço muito maior do que o simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!

(Pablo Neruda)


... porque todos nós vamos morrendo lentamente duma forma ou doutra... infelizmente, há dias em que é tão palpável esta morte lenta que dói fisicamente... como se assistissemos a um suicídio da alma sem que pudessemos fazer nada... o que vale é que, no dia seguinte, o sol nasce e, acto-reflexo, levantamo-nos e começamos tudo de novo... renascemos!