Diário de uma p... arva!

Life addicted!! Total e absoluta em tudo... sempre sem favores!!

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Localização: Lisboa, Portugal

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Odeia-me agora!

"Odeia-me, portanto; agora, se é preciso:
Agora, em tudo, o mundo insiste em contrariar-me;
Não me causes mais tarde um súbito prejuízo,
Une-te logo à sorte cruel, vem humilhar-me.
Quando minh'alma houver fugido ao meu tormento,
Não surjas no último escalão de dor vencida:
Não dês manhã de chuva à noite com seu vento,
A fim de prolongar derrota decidida.

Se me deixares, não me deixes só no fim,
Quando se houver cumprido tanta dor menor;
Vem no primeiro ataque: eu sofrerei assim,

De plano, o que a fortuna oferecer de pior.
E outras formas de dor, que ora parecem dor,
Junto de tua perda não terão tal cor."

(William Shakespeare)


Odeia-me agora, por favor!!
Não digas que gostas de mim,
não digas que não me queres perder,
não digas que sentes dor,
não pares para dizer sim,
não digas que não me queres ver sofrer!!

Vai... e odeia-me!!
Por favor!!

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

... está na moda esta coisa das definições, deixa cá ver se consigo encontrar umas palavrinhas que se possam adaptar ao dia de hoje...

Traição
do Lat. traditione, entrega
s. f.,
acção ou efeito de trair; intriga; deslealdade; aleivosia; perfídia; cilada; infidelidade.

Deslealdade
s. f.,
falta de lealdade; falsidade; perfídia; traição.

Amizade
do Lat. *amicitate
s. f.,
afeição; amor; boas relações; laço cordial entre duas ou mais entidades; dedicação; benevolência.


... tal como supunha... as duas primeiras não têm nada a ver com a terceira!!! merda!!
(pronto... lá se foi o nível do blog...)

terça-feira, fevereiro 21, 2006

Súplica

"Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada."

(Miguel Torga)


Pela voz do poeta, uma súplica...
Depois de tudo dizer, de explicar, implorar...
... só o silêncio pode responder às tantas perguntas que ficaram por fazer...
... só o silêncio pode acalmar a dor dum "não"...
... só o silêncio pode fazer renovar a esperança num "sim"...
... só o silêncio embala uma lágrima...
... só em silêncio se pode esperar a primavera...
... só em silêncio se pode esperar o amor...
... só em silêncio se cumpre uma vida...
... só em silêncio se constrói um destino!
... só...
... e em silêncio...
... de coração amordaçado!!

sábado, fevereiro 18, 2006

Lágrimas da alma

"Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...

E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!"

(Florbela Espanca)


É talvez sinal duma nova fase da vida, é talvez sinal de maturidade ou talvez sinal de maior pragmatismo ou frieza, o não mostrar lágrimas... o não deixar que elas corram pelo rosto quando as sentimos inundar a alma...
A determinada altura da vida, as lágrimas, que antes tinham a mesma importância que um sorriso, passam a ser vistas como jóias raras, só passiveis de ser derramadas em solidão ou partilhadas com que vive no nosso coração... e, de quando em vez, é a alma que chora em vez dos olhos!

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Círculos de Vida

Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo.

(Pablo Neruda)

... é sempre assim... é sempre aquela pequena folha, que não sabemos guardada no nosso peito e que, por vezes, continua lá guardada, resguardada de todas as agruras da Vida durante anos e anos... é sempre aquela pequena folha que floresce na mais linda flor...
Mas, mesmo assim, a surpresa maior não é a mais bela flor, é que o nosso peito ainda tem capacidade de "gerar" algo vivo... algo que, também, nos dá vida! Fantásticos círculos de Vida, estes!!

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Amigos!! Mais de 1000 visitas... vocês devem estar loucos!! lol

Obrigada!

sábado, fevereiro 11, 2006

"Dirty dancing"

Hoje, vi o filme da minha juventude... fantástico, revê-lo depois de tanto tempo, de tantas vezes visto com outros olhos... olhos tão novos, tão pouco usados mas tão sedentos, já, de novas paisagens, olhos tão inocentes, iludidos, esperançosos e que sempre choraram ao ver este filme... talvez pela música, pela dança que desde sempre me apaixonou, ou pela história de amor, encanto e esperança...
... uma encantadora história de amor que sempre me fez chorar, sempre até hoje!! Hoje não chorei, hoje sorri... já não precisei chorar, já não consegui chorar...
... talvez já tenha encontrado o meu futuro, talvez ele seja já tão palpável, tão real que a ilusão inocente deste filme já não me emocione até às lágrimas...
... ou talvez... me tenha tornado tão fria, tão pragmática que já não tenha esperança, já não consiga emocionar-me com um velho sonho de juventude...

De uma forma ou de outra, hoje sorri... hoje não chorei!

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

... porque nada mais consigo escrever, pensar ou sentir, apenas um...

"Apelo

Porque
não vens agora, que te quero
E adias esta urgência?
Prometes-me o futuro e eu desespero
O futuro é o disfarce da impotência....

Hoje, aqui, já, neste momento,
Ou nunca mais.
A sombra do alento é o desalento
O desejo o limite dos mortais."

(Miguel Torga)

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Elogio ao Amor

"Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas.
Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito o que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber.
Não é por falta de clareza. Serei muito claro.

Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer.
Mas tenho de dizê-lo.
O que quero é fazer o elogio do amor puro.

Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade.
Já ninguém quer viver um amor impossível.
Já ninguém aceita amar sem uma razão.
Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.

Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em"diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios.
Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem.

A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.

Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correrem risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.

Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

O amor é uma coisa, a vida é outra.
O amor não é para ser uma ajudinha.
Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental".

Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores.
O amor fechou a loja.
Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade.
Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo.
O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes.
Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.
O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.

O amor é uma coisa, a vida é outra.
A vida às vezes mata o amor.
A "vidinha" é uma convivência assassina.
O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição.

Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente.
O amor é a nossa alma.
É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.
O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária.
A ilusão é bonita, não faz mal.
Que se invente e minta e sonhe o que quiser.

O amor é uma coisa, a vida é outra.
A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe.
Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém.
Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos.
E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama,não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.

Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.

A vida é uma coisa, o amor é outra.
A vida dura a Vida inteira, o amor não.
Só um mundo de amor pode durar a vida inteira.
E valê-la também."

(Miguel Esteves Cardoso)