Era uma vez uma menina...
... que sonhava com a chegada do seu Cavaleiro Andante.
Era uma vez uma menina, a quem exigiam ser mulher, que sonhava, sonhava às escondidas... e de tanto sonhar, o sonho transformou-se em desejo, e de tanto desejar, o desejo tranformou-se em ilusão, e tanta ilusão pareceu-lhe realidade aos seus olhos de menina-mulher e, um homem tão imperfeito como todos os homens podem ser pareceu-lhe um Cavaleiro capaz de a levar feliz na garupa por toda a vida. Mas toda a vida reduziu-se a uns anos, e a felicidade reduziu-se a resignação e até o Cavaleiro se reduziu a um mero mortal. De repente, esta menina, a quem todos exigiam que fosse mulher, viu-se querer ser Mulher e procurou-se... procurou-se em si, no seu corpo, e em muitos outros corpos, corpos de meros mortais que em tempos se quiseram Cavaleiros capazes de ser Homens. Até que um dia, num olhar, se achou. Achou a parte de si que a permitia ser completa, ser Mulher, a parte de si que andava perdida e agora encontrada no corpo de um Homem a quem todos chamavam homem e que queria ser menino. Apaixonou-se. Apaixonou-se pelo Homem, pelo homem, pelo menino nele, pela parte dela que tinha andado perdida, por ela, por ela agora completa, por ela completa no corpo dele...
Está apaixonada. Ama. É amada.
Era uma vez uma mulher-menina que ama apaixonadamente alguém que a ama apaixonadamente mas que não a pode fazer Mulher-completa pois, também ele, homem-menino quando ainda menino-homem quis ver realidade na ilusão de levar uma princesa na garupa. E hoje, apesar de Homem e Mulher separados, deixam viver dentro de si menino e menina juntos para sempre.
